13/06/2017

Apenas corri



Corri. Não voltei a olhar para trás, apenas corri. Corri sem direção, sem destino, corri apenas o mais que consegui, o mais que aguentei, corri.

Nesse dia senti, mas senti mesmo. Senti a perda, a desilusão, o fracasso, a inexistência de qualquer esperança. Apenas senti. Senti tanto que por 5 segundos deixei de sentir o que quer que fosse. Deixei de sentir o corpo, a voz, a mente, o ar, o bater do coração.

Depois corri. Apenas corri.

Dei por mim aqui, perdida nos pensamentos. Pensamentos que nunca pensei que existissem. Voltas e voltas e o resultado era sempre o mesmo.

Respiração acelerada, coração a mil e lágrimas sem qualquer inicio nem fim. Então corri.

Corri sem parar, sem conseguir parar.

Vi-te, sorri. Vi-te e todo o sentimento de felicidade invadiu o meu corpo. Vi-te e perdi o meu chão, a minha razão. Três minutos, três sentimentos diferentes.

Vi-te e então corri.

Respiração acelerada, coração a mil e lágrimas sem qualquer inicio nem fim.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez contei para mim. Corri.

Aquele dia, aquele mês, aquele ano. O inicio, o desenvolvimento e o fim. Tudo por causa daquele dia, naquele mês, naquele ano, naquele sitio, e tu.

Hoje vi-te e corri. Corri de mim. Corri tanto que me perdi de mim. Do que sou, do que quero, do que tenho e do que sonho. Corri e perdi-me nas incertezas, nos pontos de interrogação, nos sentimentos, do certo e do errado, do bom e do mau.

Vi-te e corri, e tenho medo de nunca mais me voltar a encontrar.


Um dia tu viste-me e correste, correste mas nunca te perdeste.

15/08/2016

Dois anos de ti

Dois anos de ti.

Quando te vi pela primeira vez, lembro-me de pensar que não serias apenas mais 5 minutos na minha vida, 5 minutos que depois desaparecem sem deixar sequer uma última palavra. Não foste, não és e não serás apenas mais 5 minutos para mim.
Os dias foram passando e tu continuaste aqui. Mostrei-te o meu pior e o meu melhor. Foram tantas as conversas pela noite fora, só eu e tu, foram tantos os dias em que me fizeste sorrir, as noites em que me aconchegaste em ti enquanto eu chorava depois de mais um pesadelo. Agarras-me com toda a força contra o teu peito enquanto me debato contra ti. E ficas assim até eu ouvir o som do teu coração, até aquele som me acalmar. Nunca dizes nada, simplesmente olhas para mim enquanto esperas pacientemente. Não houve um único dia em que me pressionasses sobre o assunto, não houve uma única pergunta, tu sabias, sabias que eu não iria querer responder, não antes de me sentir preparada, não antes de te confiar a minha historia, o meu passado. Nunca te assustaste com as minhas peculiaridades, antes pelo contrário, cada vez te aproximaram mais de mim, fosse bom ou fosse mau.
Acordar e ver-te ao meu lado passou a ser a melhor parte do meu dia. Saber que irei adormecer ao teu lado. Quando não estás ainda sinto o cheiro do teu perfume na almofada, ficas sempre no meu pensamento.
Ensinaste me como estar pacífica, a não pensar em mais nada a não ser em cada segundo que vai passando. Mostraste me como é ter alguém que gosta de nós sempre presente, como é proteger aqueles de quem gostamos de tudo o que vier contra nós. Cada vez que me envolves com o teu corpo sinto me protegida, uma sensação única como nunca antes tinha sentido.
Com o tempo a passar cada vez mais depressa começaste a conhecer cada marca no meu corpo, cada pequeno pormenor, conheces tudo o que sou, o que fui e o que quero ser. Sabes mais do que aquilo que eu pensei ser possível saber sobre alguém. Assim, como sei de cor cada bocadinho de ti, e cada vez quero mais. Mais de ti, mais de mim, mais de nós.
Cada vez quero mais o teu beijo, o teu bom dia ensonado logo pela manhã, o teu abraço, aquele teu olhar. Cada vez tenho mais de ti, cada vez gosto mais. Apaixono-me por ti outra e outra vez. Não me canso de ti. Sou depende de tudo isso.

Dois anos de ti e tu ensinaste me tanto e a precisar de tanto pouco.

Dois anos de ti.



30/07/2016

Quero-te por mais um segundo

Era mais um dia. Estava ansiosa para te contar todas as novidades, todos os desgostos de amor, todos os problemas de trabalho, todas as risadas com os amigos, todas as pequenas conquistas. Adoravas ouvir “as minhas desavenças com a vida” como tu costumavas dizer. Estava ansiosa pelo nosso jantar. Fui o caminho todo a tentar arranjar a melhor maneira para dizer cada pormenor. Queria saber como estavas, por onde tinhas andado, o que Lisboa te tinha oferecido, quais as ruas que tinhas conhecido, quais te tinham acolhido e quais as ruas que não te queriam.
Apressei me com medo de chegar e tu já não estares. Mas afinal, cheguei e não te encontrei. Sentei me no nosso lugar e esperei. Talvez estivesses só atrasado. Possivelmente tinhas encontrado alguém pelo caminho e ficaste na conversa fiada como é normal. Passou meia hora, achei estranho, mas quando se tem uma vida imprevisível como a tua nada é certo e então decidi esperar mais um bocado. Encostei-me no teu “canto” e fui criando a conversa que iríamos ter na minha cabeça para me distrair. Confesso que a repeti mais vezes do que me apercebi. Estava frio e comecei a pensar que talvez não estivesses bem agasalhado e isso atormentou-me. Não tinha nada comigo para te ajudar, para a próxima trago, pensei.
Passou uma hora e não via sinais de ti. Levantei me e comecei a andar pelas ruas para te procurar. Dizias que às vezes sabia bem mudar de rua, para veres novas pessoas. Talvez fosse isso. Percorri aquelas ruas de uma ponta à outra 2 vezes não fosse tu chegares ao nosso local e não me encontrares.
Já era tarde, pensei. Talvez hoje não apareças.
Pelo segundo dia não te vi. Apertou-me o coração. Sei que estás bem, tens de estar bem. Possivelmente encontraste alguém que precisava de ti como eu precisei um dia ou finalmente aceitaste a ajuda daqueles que te ofereciam constantemente. Mas queria só ter a certeza. Voltei outra vez a percorrer aquelas ruas sem te encontrar.
Bem me avisavas que um dia o dono do café te escorraçava da porta dele se chegasse e lá estivesses a dormir. “Que mau aspeto está a dar ao meu café, faça o favor de se levantar e ir para bem longe daqui, há pessoas a tentar ganhar a vida” imitavas tu as barbaridades desse senhor. Fazias-me sempre rir com essas imitações, mesmo sabendo que um dia ainda se concretizavam.
Sábado de manhã, decidida fui ter ao café e perguntei se te tinham visto por lá. Disseram me que não, que já não te viam à tanto tempo quanto eu. O dono realmente pareceu feliz por teres desaparecido, embora aqueles “clientes habituais”, que percebes logo que é uma rotina tomar o seu pequeno almoço ali, genuinamente me pareceram tristes pela tua ausência. Aposto que lhes animavas também o dia a eles com as tuas histórias e vivências, é assim que és, não consegues não deixar a tua alegria por onde passas. Quando começas a falar, não há ninguém que te cale, e aqueles que o podem fazer, não o querem fazer.
Por onde andas?! Nunca pensei que me fosse custar tanto não te ver, não saber onde andas, como andas, se tens como sobreviver. Nunca pensei que te tornasses tanto em tão pouco tempo.
Nunca mais te vi, nunca mais ouvi as tuas histórias. Sinto falta delas muitas vezes (praticamente todos os dias), sinto falta dos nossos jantares, sinto a falta da tua companhia. Queria apenas ter tido a oportunidade para uma última conversa, para um último sorriso, para um último jantar, ou apenas para um último e simples olhar para ti. Se ao menos tivesse feito mais, se te tivesse dado um lugar seguro para viveres, algo certo.
Vou conhecendo outras pessoas todas as noites que faço a minha volta. Pessoas, que com cada pormenor seu fazem o meu dia diferente. Conversas e às vezes silêncios constrangedores de quem não quer dizer nada. Mas nenhuma delas és tu, não te vejo e cada vez sinto mais falta disso.
Admito que ainda há dias que pego numa sandes, entro no carro e conduzo até ao nosso sítio. Sento-me e imagino que lá estás, que é apenas mais uma terça-feira como as outras. Imagino a tua vida, o teu dia. Imagino toda a nossa conversa. Relembro as histórias e os conselhos. Sempre com um sorriso, não vás tu aparecer de repente e ainda levo com um sermão como da primeira vez. Chamam-me louca, olham-me de lado, mas nada disso interessa se me fizer sentir mais perto de ti, se me fizer sentir bem. O que eles pensam, “o que eles pensam não vale nada comparado com o que me faz bem”, sempre me disseste tu.
Transformaste aquilo que era em algo que nunca pensei que conseguisse ser.

Sempre me disseste que já tinhas tido o melhor que a vida te podia dar e que por isso já nada te iria abalar. Que não era a viver na rua que irias perder essas memórias, que te irias deixar cair ou desmoralizar, antes pelo contrário, cada vez irias ter mais força e vontade de viver. Sei que realmente pensas isso e por isso digo: “Que Lisboa te aproveite como eu aproveitei!!”. Sei que ainda nos iremos voltar a encontrar, eu não desisto de ti, irei procurar-te em cada volta que fizer, em cada pessoa com quem falar. Tu és a minha inspiração, e se isso faz de mim uma pessoa fraca e sem objetivos maiores, então que seja. Prefiro assim, do que nunca ter sido abordada por ti pois sei que mesmo que me tirem tudo, tenho-te presente sempre nos meus pensamentos. Isso vale mais do que alguma vez conseguirei descrever.

27/06/2016

25.06.2016 - hoje levei-te ao teatro


Hoje levei-te ao teatro. Perdeste a conta da última vez que tiveste essa oportunidade.
Hoje quis mostrar-te mais, dar-te mais. Hoje quis mostrar que ainda existem pessoas que querem saber, pessoas grandes, pessoas com tanto para dar.
Observei atentamente enquanto te perdias com tudo o que te rodeava. Amei ver-te entrar por aquela porta como se fosse algo que fazes diariamente, como se fosse esse o teu mundo. Parecia que tinha viajado para outro mundo contigo, fazias as coisas parecerem tão fáceis para quem olhava. Toda aquela gente estava lá por ti, mesmo que não o soubessem, mesmo que tu ainda não o soubesses, ainda!! (estava ansiosa para ver a tua cara quando percebesses o porque de termos ido ao teatro naquele dia, do nada)
Estavas tão atento, a ouvir tudo e a guardar todas as imagens e falas na tua cabeça. Até refilaste comigo por te ter falado durante a atuação. Não consegui deixar de rir baixinho, tudo em ti era peculiar e tão simples. Tudo era importante, querias ver tudo, memorizar tudo.
Não irei esquecer tudo o que me fizeste viver, o quanto me mudaste, o quanto conseguiste iluminar aquilo que à muito se encontrava obscuro, as gargalhadas, as conversas sérias, os silêncios, os gritos de dor, as súplicas para algo melhor, os sorrisos, e estes foram tantos, a fé, estes momentos tão simples mas ao mesmo tempo tão importantes.
Amei tudo desde a viagem de ida até aqueles últimos 5 segundos em que te acenei o adeus dentro do carro quando já estava na volta para casa.
O pior foi não te puder levar para uma casa, não conseguir dar-te um teto. Ai se eu pudesse!! Trazia-te comigo. Fazia com que sentisses novamente o aconchego dos cobertores, o conforto de um colchão, a companhia de uma família, a comida quente acabada de sair do fogão. Coisas tão simples, mas que nós iriamos apreciar como se fossem o melhor que a vida tem para oferecer. Apresentava-te aos meus pais, e aposto que eles iam ter uma inveja saudável de ti, eles ficariam a saber que és tu que consome o meu tempo, que és a causa de um pelo menos um dia por semana me deitar tarde, que todas as noites com insónias passo-as a pensar em mil e uma maneiras de fazer mais e dar mais de mim, a ti e a tantos como tu. Tempo esse que eles não têm a oportunidade de ter. Mas sei também que eles iam adorar-te, que iam gostar de cada pormenor teu como eu gosto, que iam ver como és um “novo” pai para mim, como me tratas como se realmente fosse tua filha, como lutas sem desistir todos os dias, a toda a hora, como tudo é uma aventura para ti e como também queres o melhor para mim. Têm isso em comum, tu e os meus pais. Saberiam o quanto me mudaste, quanto fizeste por mim sem nunca pedir nada em troca. Como és especial.

Cresci com duas mães, e desde que te conheci tenho a oportunidade de partilhar a minha vida com dois pais. Não há nada que possa superar isso.

07/06/2016

Com o pouco que tenho para dar

Sai do trabalho decidida a fazer algo mais. Conduzi até à praia para pensar e depois segui até Lisboa onde encontrei o Sr. Manuel no sitio do costume. Metemos três dedos de conversa e umas boas gargalhadas antes de lhe lançar a bomba.
Olhei-o nos olhos e disse que hoje iríamos partilhar o nosso jantar com o máximo de pessoas que encontrássemos pelas ruas de Lisboa. Ficou a olhar para mim como se eu fosse doida. Ele já sabia como eu era, sempre com a cabeça no mundo dos sonhos e pouco na realidade. Quando percebeu que eu estava a falar a sério, apenas me disse que por muito que quisesse não podia ajudar toda a gente.

“Eu sei, mas posso tentar, e hoje vamos tentar os dois.”

Levantei-me, puxando-o a ele logo de seguida. Fomos até ao supermercado mais próximo. Começamos a pegar naquilo que precisávamos. Nunca me tinha sentido tão observada como naquele momento. Olhavam-nos como se fossemos uma doença, algo que estava no sitio errado. Não percebo qual é o problema das pessoas, como têm coragem de julgar sem antes conhecerem, sem antes darem uma oportunidade da pessoa mostrar como é realmente, para mostrar que existe uma pessoa como outra qualquer naquele corpo. É um mundo de aparências e nenhuma daquelas pessoas queria ter ao seu lado um mendigo, uma pessoa mal vestida, alguém que tem de suplicar para sobreviver.
Agarrei-o no braço e comecei a sorrir. Disse o mais baixo que pude só para ele ouvir “tenho orgulho em te ter ao meu lado”.
Numa rapidez surpreendente acabámos as compras e fizemos as sandes como se o mundo dependesse disso. Não tínhamos pressa, mas por algum motivo, estávamos ambos ansiosos por acabar.

Foi tempo de começar a percorrer as ruas de Lisboa, de um lado para o outro, partilhando historias e o jantar com quem fossemos encontrando. Ter o Sr. Manuel ao meu lado ajudou bastante. Não só porque me fez sentir segura, como conseguia chegar às pessoas que olhavam para mim com alguma desconfiança, que não me deixavam aproximar. O Sr. Manuel diz que quando se está à muito tempo nesta vida, passa-se por tanta coisa e vê-se tanta coisa que se começa a desconfiar de tudo o que é oferecido sem ser pedido nada em troca.
O Sr. Manuel mostrou-me onde “viviam” tantas outras pessoas, sabia onde procurar, e o que encontrar em cada rua, em cada ruela, em cada beco. Foi me mostrando quais tinham sido as suas “casas” e de quais sentia saudades. Ele conseguia fazer as pessoas confiarem apenas com meia dúzia de palavras.

Distribuímos tudo, e quanto mais houvesse, mais havia a quem dar. Estava exausta, e não era a única. Ouvia a respiração do Sr. Manuel ofegante, como se tivesse corrido uma maratona. Caminhámos devagar até nos voltarmos a sentar no “nosso lugar”. Rapidamente e sem me aperceber do que iria acontecer, recebi um abraço com tanta força que parecia que ia sufocar. Quando o Sr. Manuel me deixou voltar a respirar novamente reparei na sua cara. Nunca tinha visto sequer uma lágrima naquele rosto, nem mesmo quando ele falava da mulher e o filho, mas naquela noite, naquele momento, lá estava ela, a escorrer-lhe pela cara. “Fizeste o meu mundo tornar-se gigante hoje, puder ajudar outras pessoas, já à tanto tempo que não tinha oportunidade de o fazer, nem a mim se consigo ajudar. Soube tão bem”.
Foi assim que nos despedimos. Com lágrimas nos olhos e uma sensação incrível de missão cumprida. Hoje o sorriso é dos dois, mas mais do que isso, hoje o sorriso é todas as pessoas que me deixaram entrar na sua vida, nem que fosse por 5 minutos e um pedaço de pão.


03/06/2016

Nunca te prometi o mundo

Nunca te prometi o mundo, porque por muito que o quisesse dar não conseguia. Apenas te prometi o meu mundo.

Posso já dizer que não é um mundo cor-de-rosa, não é como nos filmes onde existem sempre finais felizes. Umas vezes o único final não é o queríamos. É um mundo que te testa constantemente, onde aprendi a lutar três vezes mais do que no mundo normal. Nunca te prometi um mundo sem problemas, apenas prometi estar sempre a lutar ao teu lado nas complicações. Um mundo que me fez assim.

Não vou acordar todos os dias de bom humor, mas irei sorrir cada vez que te veja. Não irei querer tocar-te todos os dias mas irei sentir o teu toque como se fosse sempre pela primeira vez, aquela sensação de bem-estar, de segurança, aquele toque especial, o desejo, a paixão.

Nunca te prometi que estarás sempre no topo das minhas prioridades. Haverá dias em que os problemas, o trabalho, e até aquele simples grão de areia no meio da praia se irão sobrepor a ti, haverá dias que só vou querer gritar e ficar no meu canto. Dias que irei chorar sem motivo, que não irei confiar ou partilhar, dias que irá parecer que não te mereço, que não me importo. Prometi sim que haverá também dias em que te irei confidenciar tudo o que me tornou quem sou hoje, tudo o que o meu mundo testou em mim, tudo o que odeio, tudo o que adoro, todos os sonhos e todos os pesadelos, em que serás o meu porto seguro, aquele que me mantém sã, aquela única pessoa que me conseguirá arrancar um sorriso quando só existirem lágrimas. Dias em que o meu único objetivo será ver-te feliz, fazer-te feliz, por um segundo, um minuto, uma hora, um ano…

Nunca te prometi o sucesso, mas prometi que irei confiar em ti até o alcançares, que iremos cair e levar-nos as vezes que forem precisas para lá chegar, que TE irei levantar as vezes que forem precisas para te ver alcançar o inalcançável, para ver quem um dia não acreditou morrer de inveja do que atingiste.

Conheço o meu mundo melhor do que ninguém, e muitas vezes até eu o trocaria por um outro mundo qualquer, um mundo de um outro alguém, com outras histórias, com outras marcas, com tudo novo. Nunca suplicaria para alguém o aceitar como seu sem antes ver tudo o que tem a perder, mas imploro para que se não o consegues aguentar, então não o agarres, pois é tudo o que tenho para dar, tudo o que sou e só por ele já custa.


Prometi dar-te o meu mundo, mas mais do que isso, prometi acrescentar o teu mundo ao meu e criar um mundo nosso.

29/05/2016

Nunca é tarde para sorrir

Por vezes as coisas aparecem nas nossas vidas sem percebermos a importância delas.
Era apenas mais um terça-feira à noite, após um dia cansativo de trabalho e aulas. Caminhava para o carro de cara trancada, como se o mundo me estivesse a bater, a lamentar as situações da minha vida, aquela pessoa, aquele problema, aquele trabalho, aquela situação, aquele sentimento. De repente oiço alguém ao meu lado a dizer: “ não devia andar com essa cara na rua, sorria pois está viva, e aposto que tem um sorriso maravilhoso para mostrar”. Foi impossível não sorrir. Agradeci o lembrete, mas quando dei por isso, o Sr. Já só conseguia olhar para a sandes que agarrava na minha mão para enganar a fome. Não pediu nada, apenas ficou a olhar, até perceber que eu tinha reparado. Aí, desviou o olhar rapidamente como se tivesse cometido um crime pelo qual se tinha envergonhado e voltou para o seu canto à porta de um café. Só ai vi, não era apenas alguém, era alguém que tinha como casa as ruas de lisboa, alguém que se sentava agora no cartão do qual tinha improvisado a sua cama e num canto protegido tinha todos os seus pertences.
Perguntei se já tinha jantado e a resposta que obtive foi “Jantar deixou de ser uma refeição, passou a ser algo que depende das pessoas que vejo passar.
Sentei-me junto dele. Tremi de medo, como se ele me pudesse fazer mal, mas ao mesmo tempo com aquela certeza que ele não o faria e se o fizesse eu não queria saber. Partilhei o meu jantar e ganhei nesse momento a oportunidade de conhecer um homem espectacular. Já com os seus 50 anos, trabalhou muito tempo numa fábrica, tinha tido uma mulher e um filho do qual falava cheio de orgulho.
A partir desse dia, todas as terças-feiras, eu e o Sr. Manuel sabíamos que tínhamos de guardar 5 minutos nas nossas agendas para jantarmos, independentemente de quão apressados estivéssemos para outra coisa. Levava duas sandes, uma para cada e ele lá me distraia de tudo com uma historia.
Falou-me de como era feliz, como tinha conhecido o amor da sua vida aos 25 anos, os sonhos que tinha ao longo dos anos, os planos que tinha traçado para a sua vida a dois. Falava como se fosse o mundo que estivesse a seus pés e não o contrário.
Contou-me como há 7 anos perdeu a mulher e o filho de 5 anos num estúpido acidente de carro, como perdeu o único emprego que teve, como foi perdendo tudo, uma coisa de cada vez, a família, o carro, a casa, até perder também a vontade de lutar. Como as ruas começaram a ser a sua casa e as pessoas o seu novo sustento.
Ainda sinto a dor em cada palavra que ele dizia. Acho que nunca tinha perdido o controlo tão rápido e à frente de um estranho como nessa noite. Chorei até deixar de conseguir respirar, enquanto ele me confortava e dizia que um dia tinha tido a vida perfeita e isso não trocava, mesmo que agora tivesse que suplicar por um bocado de pão.
Na minha ultima noite de aulas, expliquei que já não tinha mais planos por Lisboa e que por isso iria deixar de vir. Mas que faria questão de vir de vez em quando nem que seja para saber como ele estava e ter o prazer de partilhar o meu jantar com ele.
Ele sorriu e nunca me vou esquecer das palavras que disse: “conquista o mundo e sê feliz, só tens de sorrir. Luta pelo que queres e um dia vais ter a vida perfeita que eu um dia tive. Que nunca mais ninguém te veja com a cara trancada na rua como eu tive de ver. Vive a vida que imagino todos os dias para o meu filho”.
Tentei o máximo que consegui, mas as lágrimas começaram a escorrer pela minha cara, mas com um sorriso respondi: “Hoje eu tenho este sorriso por si e graças a si”. Nem mil jantares, nem tudo o que eu pudesse dar iriam compensar tudo o que ele me fez sentir e como me ensinou a ter fé nas pessoas. Podia ter sido apenas mais uma pessoa, mais um sem abrigo, mas foi sem dúvida algo mais.
Ainda sei onde se deita o Sr. Manuel, partilharemos mais vezes a hora de jantar e aqueles minutos de conversa fiada ou aqueles sermões que me dava quando lhe contava alguma coisa e ele pensava que eu estava a ser parva.

Sei que nem todos merecem ajuda, que por vezes por mais que queiramos não podemos dar mais e ser mais. Mas quando pessoas assim nos encontram, por muito ou pouco que possamos dar, um minuto da presença delas na nossa vida irá compensar tudo.

02/08/2014

Nunca tiraste o tempo para me conhecer

Tens apenas um medo, tens apenas medo de um dia ficares sozinho. De um dia acordares e não haver ninguém na cama ao teu lado, de não haver com quem partilhares a mesa ao pequeno-almoço, de não haver o choro da criança no quarto ao lado, ou a típica discussão entre os irmãos à medida que vão crescendo. Medo de chegares a casa e não encontrares ninguém, de te encontrares simplesmente sozinho numa casa vazia. É o teu único e mais temível medo. É o que por vezes te faz ser quem não és e fazer coisas que não vêm do que és.
A procura de sempre algo novo, algo para testar os limites, algo diferente, a procura da adrenalina. Cansaste pela monotonia.
Adoras o fruto proibido, ter aquilo que não podes ter. E ter apenas quando queres e só quando queres. A protecção sufoca-te assim como a pressão e o controlo. Procuras sempre e cada vez mais a tua liberdade.
O silêncio que se "ouve" quando se trata de coisas do coração, de sentimentos e emoções que tanto te esforças para esconder e fingir que não são nada para ti perante os que te rodeiam.
A facilidade com que segues em frente, deixando o passado onde ele pertence e vivendo sem receios o presente, procurando sempre mais e mais. A facilidade como tudo o que algum dia foi importante, se torna rapidamente insignificante e sem sentido.
O pensamento que tens sempre de um dia  seres tu a ser deixado de lado e por isso, procuras ser tu a dizer a palavra final.
A ânsia de um dia seres tudo aquilo que vês em quem veneras e de quem sentes orgulho. A ânsia de um dia as coisas simplesmente acontecerem e tu saberes simplesmente que é o teu momento de crescer e ter tudo aquilo que queres.
O teu desejo insano de querer voltar às origens. O amor incondicional pela palavra e significado de família, aquilo que te faz superar tudo sem qualquer problema, a proximidade de todos eles, sempre presentes como se nunca se deixassem de ver, como cada um à sua maneira é importante e te faz ser como és.
Até as pequeninas coisas que são irrelevantes para todos os que não as sabem apreciar.
A tua forma de dormir, limitada ao teu pequeno espaço, confinada naquela tua parte da cama que mais ninguém tem autorização para ultrapassar, acordares e não conseguires pensar em comida, pegando assim apenas num café com leite, o teu sorriso quando algum dos teus amigos te desafia para algo entre vocês, o gosto por tudo o que te deixa as mãos pretas, e mais improvável de notar, o brilho nos teus olhos quando te sentes em casa. Até a maneira como gostas que te toquem, como gostas que se aproximem, e do que gostas de ver, o teu ponto fraco.
Pequenos pormenores que todos os dias demonstras sem sequer perceberes, que escapam à vista de um olhar desatento ou então apenas de um olhar não tão atento. Pequenas coisas que constroem o sorriso que tens e que me vem apaixonando desde a primeira vez em que realmente sorriste para mim, não apenas aquele sorriso na minha direcção por mera educação.
Eu perdi todo o tempo que tive para te conhecer. Para conhecer cada milímetro do teu ser, para perceber quem és e o que te faz ser quem és.
De ti, apenas ouvi conclusões sem fundamento, ofensas disfarçadas, mentiras contadas e vividas. Mais assustador do que isso, de ti eu vi o desconhecido.
Eu sou apenas a junção de todas outras coisinhas pequenas que me fazem ser quem sou. E tu, não conseguirias sequer identificar uma delas, pois tu, nunca tiraste o tempo para me conhecer.

05/05/2014

Estarei sempre ao teu lado

Aquela sensação de quando compras alguma coisa que realmente gostas e queres e depois se estraga ou deixa de servir de repente. Para mim essa sensação é devastadora, é uma perda à qual não me consigo habituar e que continuo a lutar para a consertar ou voltar a usar.
Com as pessoas também é assim. Mas hoje em dia as pessoas deixaram de tentar consertar o que está estragado e em vez disso deitam fora coisas, anos importantes, para apenas voltarem a "comprar" momentos novos e sem defeito.
É difícil vermos as coisas que gostamos desaparecerem, mas é ainda mais difícil ver as pessoas que amamos se afastarem.
Eu nunca desisti de consertar as pessoas, pois para mim, uma pessoa com todos os seus defeitos, erros e remendos é a pessoa que mais precisa que alguém esteja lá para ela e é sem dúvida a pessoa mais verdadeira.
Mas também digo, é difícil consertar algo que está a ser tratado por outra pessoa. Ver que a outra pessoa conseguiu fazer um melhor "trabalho" do que eu, sem duvida nenhuma, que magoa e magoa muito. Porém, ao ver-te feliz, ao ver-te pela primeira vez empenhado num futuro, ao ver-te "crescer", não consigo deixar de sorrir e sentir orgulho em ti.
Enquanto te tive, fiz o melhor que podia. Fizeste-me feliz e ainda agora o fazes sem sequer o saberes. Dei-te tudo o que tinha de mim e tudo o que podia dar. Agora, chegou a altura de um outro alguém compensar tudo aquilo que sempre faltou.
Sei que serás uma pessoa feliz, remendada e com a família perfeita ao teu lado, coisa que nunca poderia te dar. Serei sem duvida a primeira a desejar-te as maiores felicidades, e a primeira a abrir a garrafa de champanhe no nascimento do teu primeiro filho.
Mas também sou sincera, não sou de pedra e quando amo tento consertar as vezes que forem necessárias independentemente de quantas vezes tiver que cair para te levantar a ti. Por isso, também serei a primeira que estará ao teu lado a lutar por ti caso as coisas corram mal, serei a primeira a dizer-te que te amo e que sou aquela que um dia te fará feliz. Eu serei aquela que esperará a vida inteira pelo sim vindo do teu coração em vez de apenas da tua boca. Pois eu quando amo alguma coisa ou alguém, não sei o significado de desistir ou deixar para lá. Eu estarei sempre a espera de alguma hipótese, de alguma oportunidade, de alguma brecha, para poder fazer parte do teu futuro.
Eu serei aquela que estará sempre aqui para ti, independentemente do caminho que sigas, pois apenas um sorriso teu pode fazer aparecer um sorriso meu.

09/02/2014

Tivemos, vivemos, desistimos e perdemos



    "Ou dá certo, ou acaba de vez" foram as palavras que disseste antes de dizer que me amavas, antes de voltares a virar a minha vida completamente de pernas para o ar. Foram as palavras que voltaram a dar-me a esperança que já tinha perdido. Tinhas razão, pois já não havia mais por onde ir, nenhum lugar por onde fugir.
    Rapidamente tu voltaste a ser tudo, mas desta vez percebi que tudo não era mais do que obsessão.       Deixei de ser o que era para te agradar, passaste a ser o centro da minha vida, o centro dos meus pensamentos. A cada dia que passava assustava-me mais com o que me estava a tornar. Todos os meus dias eram assombrados com a esperança que era hoje que ias voltar para mim e eu ia finalmente ser o centro da tua vida também.
    Tu já não me fazias bem, o nós já era o meu sofrimento. Corria atrás de ti como se não houvesse mais ninguém no mundo, como se apenas tu fosses real. Não ligava a nada nem a ninguém e os princípios com os quais sempre cresci passaram a ser meros pormenores a serem quebrados a cada gesto que me fazias. Todos os dias ouvia as palavras na minha cabeça a questionar quem eu era, no que me tornei e quando é que vou finalmente parar e perceber que tudo o que um dia nos tornou especiais se tinha perdido à muito tempo.
    Hoje eu era aquela, que independentemente da situação, bastava uma dúzia de palavras tuas e voltava a estar a teus pés, sem qualquer pensamento, sem qualquer culpa. E mais uma vez, voltava a ser usada por ti até te fartares e voltares a deixar-me no meu canto. Uma, duas, três vezes, e todas aquelas que quisesses, eu voltava sempre, sem perguntas, sem questões, sem mágoa.
    Criticava todas aquelas que o faziam, que não conseguiam ver quando algo acabou, quando passavam a ser apenas mais um objecto nas mãos de outras pessoas, quando já não existia sentimento, compaixão, nem sequer qualquer tipo de atenção e desejo, mas no entanto fui apenas mais uma nessa situação, durante anos seguidos, sem ao menos entender o que estava a fazer.

    Acabou. Foi a última noite em que te tive a meu lado. Pensavas que ia voltar tudo ao que era, que nós íamos acabar por ceder e voltar a cometer os mesmos erros do passado, mas eu desisti. Desisti de te querer, desisti de lutar, desisti de arriscar e desisti de te por no centro da minha vida.
    Espero que encontres aquilo que procuras, pois só alguém em busca de algo diferente quer a vida que tu queres. Não fui aquilo que procuras e sinceramente nunca pensei que alguma vez o viesse a ser, e se alguma vez esse pensamento esteve presente na minha mente, não passou de uma ilusão, um sonho que acabou por se desvanecer. Um dia já foste aquilo que procurava, mas que nem sempre sabemos ao certo aquilo  que realmente procuramos, e muitas vezes acabamos por nos iludir com algo que aparece nas nossas vidas apenas no momento certo, no sitio certo.
    Hoje eu sei o que preciso. Hoje que sei que nada mais vai voltar a acontecer. Eu preciso de te esquecer e tu precisas de te mentalizar que não vou ficar aqui à espera que voltes, outra e outra vez, sempre que alguém te magoar, ou sempre que uma recordação te invadir os pensamentos.
    Acabaram-se as conversas civilizadas, acabaram-se os encontros de vez em quando, acabaram-se as preocupações, acabaram-se os sentimentos.
    Hoje somos dois conhecidos, duas caras que se reconhecem na rua mas que não dirigem qualquer palavra excepto o bom dia, por educação. Hoje somos aquilo que nunca deveríamos ter deixado de ser.
    Conseguiste magoar-me, mas não consigo culpar-te, pois neste momento já nem consigo querer saber.   Estou cansada de pensar em nós, em mim, em ti, nos erros cometidos, nos momentos vividos. Hoje só quero esquecer, só quero deixar de me importar no teu amanha e se és feliz com as escolhas que fizeste para ti.
    Acabaram-se as esperanças de talvez um dia resultar, de um dia voltares e dizeres que sempre me amaste e vais continuar a amar.
    Acabou-se o eu ser a tua última opção, de eu ser a outra.
    Hoje eu vou começar a viver o papel principal e deixar de vez o papel de figurante.

18/01/2014

A Tela

                "Ali estava a tela, levantei o pincel e as cores a com que me pintei foram o preto e branco, deixo que o mundo use em mim os magentas, os cyans e os amarelos que ele quiser. E o mundo não hesita em fazer infusões de cores distorcer brancos e esmorecer os pretos, mas ainda assim não me importo.
Lá vem aquele toque de amarelo. Sim aquela cor feia que me contorna como falso e inseguro. E o mundo volta de novo a molhar o pincel noutra cor e toca no cyan. Desta vez o cyan é robusto e com ele trás a mensagem não és assim estás a tentar ser o que não és.
Em suave queda vêm gotículas de magenta que tocam o cyan e amarelo, criando laranjas e roxos que gritam no limiar dos seus pigmentos: “ESTÀS ERRADO. NÃO TENS RAZÂO”.
Num acto de revolta escorrega a tela e as cores frescas misturam-se criando um castanho que se torna cinzento, formando uma mancha que se apodera da essência do quadro. Já não sou eu...  Apenas um ele que pintou o seu auto-retrato e não os contornos pretos e os brilhos brancos com que me caracterizei.

A todos Vocês que me trocaram as cores só tenho uma coisa a dizer: por mais tinta que usem, por mais chuvas que apaguem, por mais fogos que queimem, eu continuo a preto e branco e antes de pegarem num pincel pensem nas cores que já foram usadas e não naquelas que querem usar porque não podem voltar atrás no tempo e repintar o preto e o branco sobre o caos de um cinzento já criado"


Carlos Filipe

14/01/2014

O teu olhar torna-se impossível de suportar, as tuas palavras tornam-se promessas sem fundamento, palavras sem qualquer significado. E até o teu sorriso torna tudo mais difícil.

03/12/2013

História de Alguém

    "Aos 16 anos, ele aproximou-se sem ninguém se aperceber. Quando ninguém olhava, encostou-me à parede e sem me dar tempo de reagir tapou-me a boca com a sua mão grande e envelhecida, e olhou-me nos olhos. 
    Senti o seu olhar como se de uma chapada se tratasse, de tão ameaçador e sombrio. Devagar, começou a descer a sua outra mão, enquanto me pressionava cada vez mais contra a parede com o seu corpo rigido. Desceu devagar até chegar ao fundo do meu vestido, sem nunca parar de me tocar, e com uma calma impressionante começou a subir outra vez a mão, mas desta vez o meu vestido acompanhava-a. Após momentos de choque, de paralezia total, debatia-me com todas as minhas forças contra ele, mas parecia que nenhum efeito tinha, ele continuava ali e eu continuava impotente entre ele e a parede. A sua mão a subir, a tocar na minha pele, a sua respiração ofegante nos meus ouvidos, o seu olhar de posse e desejo desenfreado. Sinto cada centímetro que ele percorreu como se tivesse sido ontem, o seu cheiro, o seu olhar, o sentimento de nojo, de impotência e finalmente de desistência e conformidade...
    Mas, quando ele pensou que já nada ia tentar, aliviou a pressão em mim enquanto descia-a o fecho das calças e retirava o seu pénis teso, debati-me contra ele com tudo o que ainda me restava, e consegui finalmente ficar em liberdade.
    Corri, e nunca olhei para trás, com medo que ele pudesse estar lá e pudesse me voltar a dominar. Entrei em casa com lágrimas a escorrerem me pela cara, simplesmente à espera de alguém familiar, alguém importante, mas rapidamente me apercebi que estava no chão do meu quarto sozinha.
    Recompus-me, levantei-me, limpei as lágrimas e lavei cada espaço do meu corpo o que pareceu uma eternidade. Vesti-me e prometi a mim mesma que nunca mais ia pensar naquele dia, que iria ser como se nunca tivesse acontecido. Aos 16 anos tentaram violar-me e eu nada disse.



    Como em todos os acontecimentos, existem consequências, e este não foi excepção. Fingir que não aconteceu em nada resultou. O sentimento de nojo de mim própria começou a invadir o meu pensamento.   Depois veio a constante insegurança, insegurança de andar na rua, de me aproximar de alguém desconhecido, até que por fim veio todos os sentimentos de culpa, as noites em claro, os pesadelos, a estranha sensação de repetição, e a destruição da minha própria confiança.
    Anos se passaram e os "sintomas" permaneceram. Levando cada vez mais um bocadinho de mim sem eu notar.
 
    Hoje as insónias voltaram, o sentimento de lixo voltou, e a única coisa que mudou, é que agora poderia voltar a acontecer tudo novamente, que eu iria manter me indiferente, pois hoje não sou mais do que uma mente vazia e sem valorização"

01/09/2013

Hoje já não sou o que era

Tentamos vezes e vezes sem conta dizer a nós próprios que é passado, que se não voltarmos a falar no assunto, acabamos por esquecer que ele realmente aconteceu.
Parece que temporariamente isso resulta. Deixamos efetivamente de pensar no assunto. O problema é quando algo ou alguém aparece e assim do nada diz algo que nos faz fazer uma viagem no tempo até entrarmos outra vez na situação que tentámos deixar para trás.
O passado existe e por muito que tentemos esquecer o que quer que seja que tenha acontecido, ele voltará sempre um dia. Cabe a nós decidir se volta para nos atormentar novamente ou se volta apenas como uma lembrança do que já errámos e podermos fazer de maneira diferente, ou como uma forma de força que nos faz continuar a lutar por algo melhor.
Sei que no meu passado tenho demasiados esqueletos escondidos, embora ainda só tenha 20 anos e não tenha vivenciado nem metade do que me está destinado. Mas sei também agora que um por um, têm voltado para me fazerem temer tudo outra vez. Situações que me fizeram optar por caminhos que nem sempre foram os melhores, caminhos que me fizeram tornar numa pessoa completamente diferente do que era, que me fizeram deixar de conseguir ser uma adolescente.
Vivi durante anos com medo desses acontecimentos, só os queria esquecer e talvez um dia seria como se nunca tivessem ocorrido.
Hoje sei que não é possível, sei que voltam sempre e cabe a mim agora decidir se destroem ou se voltam a reconstruir e a construir aquilo que um dia construiram.
Neste momento, estão a ajudar me a reconstruir aquilo que destruíram no passado. Acabou-se o medo, acabou-se a vergonha, acabou-se o esconde-esconde. Tenho de aprender a viver com a minha própria realidade independentemente de qual seja.
Saiu à rua com um sorriso na cara, agora já não me vão encontrar no plano de fundo tentando passar despercebida, agora vou aproveitar tudo o que o "papel principal" me tem para oferecer.
Hoje saiu à rua com aquela confiança que há muito tempo roubaram, hoje já não vou ser aquela rapariga assustada, hoje eu vou ser forte, e tudo o que tentar me destruir vai ter luta e não vou içar a bandeira branca e desistir.
Hoje têm muito que destruir para voltarem a fazer-me duvidar de tudo o que sou.

23/06/2013

Thankful

O teu toque no meu corpo faz com que tudo pareça certo, faz com que o impossível vire possível, o errado vire correcto e que nós nos tornemos um só. O teu olhar, cheio de desejo, a minha respiração acelerada, quando nos beijamos, o nosso desejo eminente a cada contacto entre nós, faz-me sentir a única que tu queres, faz-me querer-te ainda mais agarrado a mim.
Não sei o que me fizeste, quero-te a cada segundo como se fosse o último que tivéssemos, sinto-te como se estivesses a meu lado mesmo quando estás longe, falo e sinto-te em pensamentos a toda a hora, tornaste um habitante permanente dos meus sonhos, dos meus pensamentos e dos meus sentimentos.
Não sei como me afastar de ti, não sei como te afastar de mim, não sei como estar contigo sem te querer, não sei não te querer sequer.
O meu racional diz uma coisa mas os meus sentimentos traem-me a cada momento que passo contigo. Sei que não podemos, que não devemos, que temos tudo contra nós e que eu sou aquela que vai voltar a sofrer e ficar sem saber como seguir sem frente sem ti. Para ti, é apenas um momento de culpa, logo segues em frente e esqueces tudo o que passámos juntos, arranjas quem te distraia e és feliz, mas eu, fico parada no presente, sem saber o que fazer, o que dizer ou como esquecer. Não sigo em frente e os meus pensamentos se viram para momentos de nós os dois juntos, sem saber quais aconteceram de verdade e quais são aqueles que para mim se tornaram reais de tanto tempo os viver na minha cabeça.
Não sei quando passaste de nada a ser tudo, não sei quando passaste a ser aquele que eu queria, apenas quero saber como te tirar de mim. Às vezes só queria que te afastasses e construisses uma vida sem mim, que seguisses em frente e nunca mais olhasses para trás. Mas e se a tua vida me tiver presente, e se do teu futuro eu faço parte?!  E se no teu futuro nós estamos juntos, sem barreiras, sem limites, sem todas estas circunstâncias que hoje nos afastam um do outro?! E se a nossa felicidade depende de ficarmos juntos?!
Estou tão confusa, tão apaixonada, tão obscada, tão limitada a ti.
Quero ser aquela que desejas para ti, quero ser aquela que te dá um bom dia quando sais para trabalhar e aquela que te deseja uma boa noite antes de adormeceres, quero ser aquela de quem tens orgulho de dizer "esta é a minha mulher", quero ser aquela a quem darias o sim para o "sempre" dos contos de fadas, quero ser aquela que transporta o teu mundo nos braços e a quem confias o teu futuro. Quero apenas ser tudo aquilo que não sou agora. Quero ser aquela a quem o Amo-te sai da tua boca, sem hesitações e sem mais nenhumas questões.
Não sei se vai ser hoje, não sei se vai ser amanhã, daqui a um mês, um ano, uma década, apenas sei que quando nos voltarmos a unir, vamos viver todas aquelas vidas que vivemos juntos constantemente na minha imaginação.
Eu estou aqui, eu não vou a nenhum lugar. Esperarei sempre por ti.
Obrigado por teres feito parte da minha vida, por teres feito com que valesse a pena todos os momentos que passei contigo.
Amei-te no passado, amo-te agora e amar-te-ei para sempre <3 p="">

21/05/2013

Loucura




Por vezes as coisas que mais queremos são aquelas que nos magoam mais. Sabemos perfeitamente que tudo vai dar errado mas mesmo assim continuamos a lutar como se fosse a coisa que nos faria os mais felizes. Queremos tanto essa coisa que nos esquecemos de pensar em nós, nos outros, simplesmente esquecemo-nos de pensar em tudo o resto.
Sei que te quero, sei que és tu que me fazes feliz, sei que sem ti não é a mesma coisa e que não iria conseguir desistir até te ter ao pé de mim.
Sinto me tão idiota à procura de algo em que nem eu acredito . Sinto que procuro impossível e que mesmo assim não desisto e tento outra e outra vez, e por mais vezes que caia, levanto me e tento novamente.
Somos loucos, loucos por continuar quando sabemos que temos que parar.
Loucura é o único nome que podemos dar ao que fazemos nestas circunstâncias.
Sou louca por ainda te querer mais do que alguma vez quis, sou louca por acreditar que ainda existem contos de fadas e finais felizes.. eu ainda acredito em nós. Mesmo depois de tudo o que já passámos, mesmo depois de tudo o que já vivemos, mesmo depois de todas as vezes que caimos separadamente e voltámos a erguer nos para apenas voltar a cair outra vez.
Pergunto me se é normal alguém querer assim tanto outra pessoa, se não passará de uma obcessão da qual não nos conseguimos livrar, se não será apenas desejo e somos nós que somos demasiado fracos para lhes fazermos frente, aos nossos impulsos...
Mas existe uma parte de mim que ainda acredita que seja apenas amor. Que seja este o sentimento que nos une agora e que sempre nos uniu durante anos. Uma parte de mim ainda quer acreditar que é apenas amor e quer vivê-lo o mais intensamente possível sem pensar um mais nada, sem pensar no amanha, sem passar nos outros, sem pensar no que nos junta e no que nos separa. Uma parte que apenas quer pensar num EU e TU juntos. Sem porquês.

20/04/2013

É hoje que importa!

Hoje aprendi a viver o presente, o "depois" logo se vê, quando chegar. Se te faz feliz perde tempo com isso, se não faz, deixa de te perder com isso e procura o que realmente te faz feliz. A vida é curta, é o maior cliché que podemos dizer, mas a verdade, por muito trágico que pareça, é que o amanhã pode nunca chegar e se calhar não aproveitaste nem um terço das coisas que realmente ambicionavas.
O Futuro é incerto, mas o Presente é o que fazemos dele e para que possa existir um Passado que valha a pena ser relembrado, o Presente tem de ser vivido ao máximo. E se para isso temos que cometer asneiras, que seja, pois talvez sejam essas asneiras que mais satisfação nos darão num amanhã.
Ama ao máximo e não tenhas medo de o gritar ao mundo. Diz aquilo que te vem à cabeça, aquilo que sentes, luta pela rapariga/rapaz que faz o teu mundo andar ao contrário por mais impossivel que isso possa ser. Ama hoje, ama amanhã, ama sempre, sem ter o que esconder, o com que te envergonhares. A vida é tua, a felicidade é tua e é apenas isso que importa. Relembra aqueles por quem darias o teu mundo, o quão importantes são para ti. Mas nunca, nunca te arrependas de algo que deixaste de fazer.
O mundo não é perfeito, nem tu tens de o ser. E se ser imperfeito quer dizer viver ao máximo aquilo que queremos agora, então eu orgulho-me de dizer que hoje eu quero ser a pessoa mais imperfeita que neste mundo já viveu.
Hoje eu aproveito o que realmente me é importante. Se é o certo ou o errado eu não sei, só sei que já perdi demasiado tempo a viver o racional e deixei as coisas que realmente importam fugirem de mim.
Hoje o meu futuro é incerto, e o pior é que eu nem quero saber, porque seja qual for o meu caminho amanhã, hoje eu estou totalmente tranquila e satisfeita comigo mesma, hoje eu sei que fiz de tudo para ser feliz, e o amanhã isso não pode mudar.

16/04/2013

Tiraste me tudo o que tinha



Tiraste-me tudo o que tinha. Tiraste-me a confiança, a auto-estima, a alegria de viver e tudo o resto que me faziam ser quem era. E a única coisa que deixaste foi aquilo que trocaria por qualquer uma das coisas que perdi. Atacaste-me de uma maneira como nunca pensei que fosse acontecer, afinal eu não passava de uma rapariga ingênua, que nada lhe metia medo e de nada desconfiava. Mas até esse meu lado conseguiste roubar, não deixando lembranças de como era. Tornaste-te naquilo que sou hoje, uma pessoa fria, incapaz de confiar em alguém, ou sequer de confiar nela própria. Perdi o controlo sobre o que queria e à medida que o tempo ia passando ía cada vez me afastando de quem eu era, tentando resolver aquilo que só a mim dizia respeito.
Não foi fácil, não é fácil, mas todos acabamos por fazer de tudo para tentar “sobreviver”. Continuei a viver, diferente de tudo o que já fui, mas continuei. Não te deste por satisfeita e conseguiste tocar naquilo que demais precioso ainda me restava. Tocaste, magoaste e foste embora sem mais demoras. Deixaste a bomba e esperaste vê-la a explodir.
Nunca vi ninguém lutar contra ti como foi feito. Lutámos, e depois conseguimos ofuscar o teu efeito. Afinal não passas de algo em que nós conseguimos mudar.
Não te deste por satisfeita mais uma vez e voltaste a atacar. Voltaste a atacar aquilo que mais valorizo, a minha mãe. Não é fácil continuar com a mesma força, com a esperança inicial, quando tu voltas outra e outra vez sem nenhum descanso. Confesso que não estou preparada para tudo outra vez, para ter que ser forte outra vez. Desta vez chegaste quando eu já estava na fossa, quando todo o meu mundo tinha acabado de desmorenar.
Ganhaste, desisti de lutar contra ti. A partir de agora és tu quem decide o que vai acontecer a seguir. Estou cansada, estou cansada de lutar contra algo que simplesmente nunca desiste. Sou tua, faz de mim o que quiseres pois agora já nada importa e não vai haver resitência, já nada tens para me tirar. Conseguiste matar-me aos poucos e agora já não resta nada.
Obrigado “VIDA”, conseguiste fazer com que nao restasse nada.

07/04/2013

Acreditar no nada

Dizem que Deus existe e que Ele sabe o que faz. Recompensa os bons e ensina e perdoa os maus. Agora pergunto: Onde está Ele quando a rapariga caminha pela rua de repente é violada, e nada fez para o merecer, onde está Ele quando quem mais se sacrifica pelos outros acaba por sofrer e fica sem nenhuma hipótese de lutar, onde está Ele quando nos tiram tudo o de mais valioso temos sem qualquer justificação e motivo?
E agora, o homem que violou, que tirou tudo de alguem, tem direito a perdão? Tem direito a ser visto como mais um homem comum entre todos os outros?
Onde está Ele quando alguém deposita toda a sua fé e no final a única coisa que sobra são as suas próprias lágrimas e as suas preces, pois tudo o resto já lhe foi tirado?
Se Deus realmente existe, então eu acho que ele é apenas mais um egoísta neste mundo, que nada pode fazer para proteger os bons e modificar os maus!

19/03/2013

Trust

"Eu fui mais uma burra que foi na tua conversa ao pensar que comigo ia ser diferente, que tu ias mudar. Enganei-me, continuas igual ao que sempre foste. És fácil e fraco (basta uma mulher querer, para tu cederes logo, não consegues viver sem ter uma mulher na mão), és um "mentiroso" (pois conseguiste passar meses a iludir me e a fazer me acreditar que era possível quando nem tu acreditavas nisso), gostas de querer, usar e deitar fora, de certeza que não fui a primeira a quem o fizeste nem serei a ultima, pois tu não sabes o que é gostar e cuidar. Gostar não é só sexo e desejo, amar é muito mais do que isso, é querer lutar, é querer falar e partilhar até o mais insignificante, é querer ficar por mais problemas que existam. Se não amas, nunca o deverias dizer a niguém, pois essa pessoa vai depositar toda a sua confiança em ti e tu em 5 segundos vais destruir tudo. Pelos vistos eu sou fácil de deixar, fácil de esquecer, fácil de iludir."

05/03/2013

5 Minutos

Vi pessoas amarem durante meses e em apenas 5 minutos deixarem de o fazer. Vi pessoas dizerem mentiras durante uma vida e em apenas uma vez na vida tentarem serem sinceros. Ouvi coisas durante toda a minha vida que nunca tiveram valor suficiente para serem relembradas nem durante 10 segundos, mas ouvi algo em 5 minutos que irá estar na minha cabeça uma vida inteira, com todos os pormenores como se todos os dias voltasse a ser dita da mesma maneira.
Vidas criadas em 5 minutos e vidas de sempre destruidas com apenas esses mesmos 5 minutos.
5 minutos, é o tempo que é preciso para passar de tudo a nada e de nada a tudo.

Tu, tu ja tiveste os teus 5 minutos!

27/02/2013

O Poder das Palavras



     O mundo tem cada vez menos pessoas sinceras, cada vez menos pessoas que se importam com o que as rodeia. Todos os dias vejo coisas, as quais não deveria ver. Vejo o mundo a degredar-se, mas mais assustador do que isso, vejo as pessoas cair numa destruição que não devia existir.
     O mundo deixou de ter importância, as pessoas que nele vivem deixaram de se importar e tudo a sua volta está a ruir e, nós simplesmente não queremos saber.
     Ás vezes é dificil pensar que alguma vez as coisas vão voltar a ser como eram, no tempo em que ajudar o próximo era mais importante de que nos ajudar a nós próprios. O mundo está cheio de promessas esquecidas e de palavras vazias.
     Mas, de vez em quando, aparece alguém, alguém que sabe valorizar o que é precioso, e que tenta mostrar-nos como podemos melhorar e voltar a ser aquilo que um dia fomos. Este video mostra-me exactamente isso. Afinal, actos podem ser muito mais que palavras, mas as palavras por vezes podem fazer a diferença. Quem sabe se um dia este mundo não volta a ser um conjuntos de palavras e actos dos quais se pode confiar.