Tiraste-me tudo o que tinha. Tiraste-me a confiança, a auto-estima, a
alegria de viver e tudo o resto que me faziam ser quem era. E a única coisa que
deixaste foi aquilo que trocaria por qualquer uma das coisas que perdi.
Atacaste-me de uma maneira como nunca pensei que fosse acontecer, afinal eu não
passava de uma rapariga ingênua, que nada lhe metia medo e de nada desconfiava.
Mas até esse meu lado conseguiste roubar, não deixando lembranças de como era.
Tornaste-te naquilo que sou hoje, uma pessoa fria, incapaz de confiar em
alguém, ou sequer de confiar nela própria. Perdi o controlo sobre o que queria
e à medida que o tempo ia passando ía cada vez me afastando de quem eu era,
tentando resolver aquilo que só a mim dizia respeito.
Não foi fácil, não é fácil, mas todos acabamos por fazer de tudo para
tentar “sobreviver”. Continuei a viver, diferente de tudo o que já fui, mas
continuei. Não te deste por satisfeita e conseguiste tocar naquilo que demais
precioso ainda me restava. Tocaste, magoaste e foste embora sem mais demoras.
Deixaste a bomba e esperaste vê-la a explodir.
Nunca vi ninguém lutar contra ti como foi feito. Lutámos, e depois
conseguimos ofuscar o teu efeito. Afinal não passas de algo em que nós
conseguimos mudar.
Não te deste por satisfeita mais uma vez e voltaste a atacar. Voltaste
a atacar aquilo que mais valorizo, a minha mãe. Não é fácil continuar com a
mesma força, com a esperança inicial, quando tu voltas outra e outra vez sem
nenhum descanso. Confesso que não estou preparada para tudo outra vez, para ter
que ser forte outra vez. Desta vez chegaste quando eu já estava na fossa,
quando todo o meu mundo tinha acabado de desmorenar.
Ganhaste, desisti de lutar contra ti. A partir de agora és tu quem
decide o que vai acontecer a seguir. Estou cansada, estou cansada de lutar
contra algo que simplesmente nunca desiste. Sou tua, faz de mim o que quiseres
pois agora já nada importa e não vai haver resitência, já nada tens para me
tirar. Conseguiste matar-me aos poucos e agora já não resta nada.
Obrigado “VIDA”, conseguiste fazer com que nao restasse nada.

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