13/06/2017

Apenas corri



Corri. Não voltei a olhar para trás, apenas corri. Corri sem direção, sem destino, corri apenas o mais que consegui, o mais que aguentei, corri.

Nesse dia senti, mas senti mesmo. Senti a perda, a desilusão, o fracasso, a inexistência de qualquer esperança. Apenas senti. Senti tanto que por 5 segundos deixei de sentir o que quer que fosse. Deixei de sentir o corpo, a voz, a mente, o ar, o bater do coração.

Depois corri. Apenas corri.

Dei por mim aqui, perdida nos pensamentos. Pensamentos que nunca pensei que existissem. Voltas e voltas e o resultado era sempre o mesmo.

Respiração acelerada, coração a mil e lágrimas sem qualquer inicio nem fim. Então corri.

Corri sem parar, sem conseguir parar.

Vi-te, sorri. Vi-te e todo o sentimento de felicidade invadiu o meu corpo. Vi-te e perdi o meu chão, a minha razão. Três minutos, três sentimentos diferentes.

Vi-te e então corri.

Respiração acelerada, coração a mil e lágrimas sem qualquer inicio nem fim.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez contei para mim. Corri.

Aquele dia, aquele mês, aquele ano. O inicio, o desenvolvimento e o fim. Tudo por causa daquele dia, naquele mês, naquele ano, naquele sitio, e tu.

Hoje vi-te e corri. Corri de mim. Corri tanto que me perdi de mim. Do que sou, do que quero, do que tenho e do que sonho. Corri e perdi-me nas incertezas, nos pontos de interrogação, nos sentimentos, do certo e do errado, do bom e do mau.

Vi-te e corri, e tenho medo de nunca mais me voltar a encontrar.


Um dia tu viste-me e correste, correste mas nunca te perdeste.

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