25/01/2013
24/01/2013
Quero-te de corpo e alma, para sempre
“Tu és a minha tábua de salvação”.
As palavras de Christian voltaram a assombrar-me. Sim, havia sempre uma
esperança. Eu não podia desesperar. As suas palavras ecoaram-me na mente: “Agora sou um acérrimo defensor da
gratificação imediata. Carpe Diem, Ana”
Porque não aproveitou ele o dia?
“Estou a fazer isto porque encontrei finalmente alguém com quem quero
passar o resto da minha vida”
Fechei os olhos numa prece
silenciosa, baloiçando-me suavemente. Por
favor não permitas que o resto da sua vida seja assim tão curto. Por favor, por
favor. Não tínhamos tido tempo suficiente... precisávamos de mais tempo.
Tínhamos feito tanto nas últimas semanas, tínhamos chegado tão longe. Não podia
acabar. Todos os nossos momentos de ternura: o batom, o dia em que fizera amor
comigo pela primeira vez, no hotel Olympic; o momento em que se oferecera a mim
de joelhos; o momento em que eu lhe tocara finalmente.
“Eu sou o mesmo, Ana. Amo-te e preciso de ti. Toca-me, por favor”
Oh, eu amava-o tanto. Sem ele eu
não seria nada, apenas uma sombra. Toda a luz se eclipsaria. Não, não, não...
meu pobre Christian.
“Eu sou assim, Ana, todo eu... e sou inteiramente teu. O que tenho de
fazer para que tu entendas isso, para que tu vejas que te quero de todas as
formas possíveis e percebas que te amo?” E eu a ti Cinquenta Sombras.
Abri os olhos e voltei a olhar
para o fogo sem o ver, e as recordações do tempo que passámos juntos
sucediam-se na minha mente: a sua alegria infantil ao andarmos de planador e
velejarmos; a sua aparência cortês, sofisticada e podre de sexy no baile de
máscaras; dançar, sim o dia em que dançáramos ali no apartamento, ao som de
Sinatra, rodopiando pela sala; a sua esperança calada e ansiosa, no dia
anterior, na casa – aquela vista assombrosa.
“Colocarei o meu mundo a teus pés, Anastasia. Quero-te de corpo e alma,
para sempre”.
50 Sombras de Grey, Volume II
50 Sombras de Grey, Volume II
18/01/2013
Lágrima
Cai uma lágrima. Essa lágrima representa todo o meu passado.
Simplesmente já caiu, já não há nada a fazer. Todos aqueles momentos, todos
aqueles sentimentos que invadiam o meu corpo sem perdir permissão, todo o
descconhecido insistia em dominar-me, tudo isso simplesmente representado por
essa lágrima.
15/01/2013
Nojo
Acordo. Levanto-me e a primeira coisa que vejo sou eu. Olho ao
espelho e vejo este corpo, vejo esta pessoa que reconheço como eu e
odeio-me.Não me vejo apenas como um corpo, vejo cada detalhe de mim, vejo cada canto que me constitui, cada parte minúscula que odeio e que me faz ser quem sou.
Odeio o que vejo, odeio este corpo em que acordo todos os dias, não há uma única coisa que veja e pense que vale a pena.
Odeio tudo o que sou, tudo o que represento, tudo o que transmito.
Personalidade de merda, que me acompanha para todo o lado. Todos os medos, as inseguranças, todas as atitudes, fazem todas parte daquele conjunto de coisas que odeio.
Acordo todos os dias, saiu à rua com um falso sorriso, tentando sentir-me bem comigo própria mas não consigo. Para quê preservar algo em que nem eu acredito? Tudo o que faço, todas as coisas que me prejudicam, é apenas a minha maneira de tentar acabar com aquilo que já não suporto ver mais, Eu!
Odeio não conseguir aguentar a pressão, odeio não conseguir manter uma conversa, odeio não conseguir ser o centro das atenções quando é necessário, odeio não conseguir falar e actuar em público, odeio não conseguir orgulhar-me daquilo que faço, odeio ser fraca, odeio não conseguir enfrentar um problema e fugir pelo caminho mais fácil logo que tenha essa chance, odeio não me apegar a ninguém, odeio nunca saber o que fazer, a onde ir, o que dizer, odeio não ser desinibida, odeio não me importar comigo.
Se nem eu gosto do que vejo, como é que alguém alguma vez pode vir a gostar, como é que alguém alguma vez vai conseguir orgulhar-se de mim?
O mundo é repleto de gente bem melhor do que eu, em todos os sentidos. Todas as pessoas têm algo que as torna especiais, únicas, memoráveis para alguém. Eu, sou apenas "algo" que anda no mundo, sem direcção e sem destino, alguém que consegue largar tudo e ficar sozinha por tempo indeterminado e nunca sentir algo que a puxe de volta. O que me torna única é apenas o facto de me odeiar.
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