Acordo. Levanto-me e a primeira coisa que vejo sou eu. Olho ao
espelho e vejo este corpo, vejo esta pessoa que reconheço como eu e
odeio-me.Não me vejo apenas como um corpo, vejo cada detalhe de mim, vejo cada canto que me constitui, cada parte minúscula que odeio e que me faz ser quem sou.
Odeio o que vejo, odeio este corpo em que acordo todos os dias, não há uma única coisa que veja e pense que vale a pena.
Odeio tudo o que sou, tudo o que represento, tudo o que transmito.
Personalidade de merda, que me acompanha para todo o lado. Todos os medos, as inseguranças, todas as atitudes, fazem todas parte daquele conjunto de coisas que odeio.
Acordo todos os dias, saiu à rua com um falso sorriso, tentando sentir-me bem comigo própria mas não consigo. Para quê preservar algo em que nem eu acredito? Tudo o que faço, todas as coisas que me prejudicam, é apenas a minha maneira de tentar acabar com aquilo que já não suporto ver mais, Eu!
Odeio não conseguir aguentar a pressão, odeio não conseguir manter uma conversa, odeio não conseguir ser o centro das atenções quando é necessário, odeio não conseguir falar e actuar em público, odeio não conseguir orgulhar-me daquilo que faço, odeio ser fraca, odeio não conseguir enfrentar um problema e fugir pelo caminho mais fácil logo que tenha essa chance, odeio não me apegar a ninguém, odeio nunca saber o que fazer, a onde ir, o que dizer, odeio não ser desinibida, odeio não me importar comigo.
Se nem eu gosto do que vejo, como é que alguém alguma vez pode vir a gostar, como é que alguém alguma vez vai conseguir orgulhar-se de mim?
O mundo é repleto de gente bem melhor do que eu, em todos os sentidos. Todas as pessoas têm algo que as torna especiais, únicas, memoráveis para alguém. Eu, sou apenas "algo" que anda no mundo, sem direcção e sem destino, alguém que consegue largar tudo e ficar sozinha por tempo indeterminado e nunca sentir algo que a puxe de volta. O que me torna única é apenas o facto de me odeiar.
Sem comentários:
Enviar um comentário