04/08/2010

Vida


Percorro um caminho sem fim, uma estrada sem sentido. Olho para um lado e para o outro e só vejo nada. Pergunto para onde me levam, e oiço apenas silêncio. Continuo a caminhar. Caiu, levanto-me, e volto a cair e assim sucessivamente. Mas afinal o que é isto, para onde vou? Agora corro, e a medida que vou avançando começo a ter visões. Vejo uma criança, está feliz. Mas dou mais um passo e agora essa criança cresceu e chora, parece que caiu. Continuo. Vejo mais uma imagem, mas desta vez a criança já era grande mas parece perdida, confusa, sem saber o que fazer. Paro, não quero continuar por aqui, tenho medo. Sento-me e aperto-me bem. Sinto o vento a mover as folhas das árvores, oiço os animais e sinto cada vez mais medo. Apenas quero ir embora. Tirem-me daqui.
Cai uma lágrima e em apenas um segundo começo a chorar sem conseguir parar. Mas eu sou forte, levanto-me, limpo a cara e rapidamente começo novamente a caminhar. Uns passos mais à frente e encontro uma rapariga. Parece-se tanto comigo. Serei eu? Será um espelho? Tento falar com ela mas apenas recebo as minhas palavras de volta. Estou confusa, o que é isto? Desisto dela e começo a correr sem ter a mínima noção para onde estou a ir. Fecho os olhos e deixo-me levar pelo que o me rodeia, já não importa.
De repente acordo. Estou deitada no meu quarto, já é de manha, oiço os pássaros a cantar, o riacho a correr e a luz do sol emana o meu quarta pelas brechas da janela. Afinal não passou de um sonho. Aquele caminho infindável, aquele medo arrebatador. Era apenas um sonho. Qual seria o seu significado?
Agora que penso, aquela menina pequenina era eu. Muito mais nova e inocente, mas eu. E eu cresci, cresci como aconteceu na visão. Mas se aquilo era a minha vida porque parece que cai tantas vezes? E porque motivo nada vi do futuro?

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