Tens apenas um medo, tens apenas medo de um dia ficares sozinho. De um dia acordares e não haver ninguém na cama ao teu lado, de não haver com quem partilhares a mesa ao pequeno-almoço, de não haver o choro da criança no quarto ao lado, ou a típica discussão entre os irmãos à medida que vão crescendo. Medo de chegares a casa e não encontrares ninguém, de te encontrares simplesmente sozinho numa casa vazia. É o teu único e mais temível medo. É o que por vezes te faz ser quem não és e fazer coisas que não vêm do que és.A procura de sempre algo novo, algo para testar os limites, algo diferente, a procura da adrenalina. Cansaste pela monotonia.
Adoras o fruto proibido, ter aquilo que não podes ter. E ter apenas quando queres e só quando queres. A protecção sufoca-te assim como a pressão e o controlo. Procuras sempre e cada vez mais a tua liberdade.
O silêncio que se "ouve" quando se trata de coisas do coração, de sentimentos e emoções que tanto te esforças para esconder e fingir que não são nada para ti perante os que te rodeiam.
A facilidade com que segues em frente, deixando o passado onde ele pertence e vivendo sem receios o presente, procurando sempre mais e mais. A facilidade como tudo o que algum dia foi importante, se torna rapidamente insignificante e sem sentido.
O pensamento que tens sempre de um dia seres tu a ser deixado de lado e por isso, procuras ser tu a dizer a palavra final.
A ânsia de um dia seres tudo aquilo que vês em quem veneras e de quem sentes orgulho. A ânsia de um dia as coisas simplesmente acontecerem e tu saberes simplesmente que é o teu momento de crescer e ter tudo aquilo que queres.
O teu desejo insano de querer voltar às origens. O amor incondicional pela palavra e significado de família, aquilo que te faz superar tudo sem qualquer problema, a proximidade de todos eles, sempre presentes como se nunca se deixassem de ver, como cada um à sua maneira é importante e te faz ser como és.
Até as pequeninas coisas que são irrelevantes para todos os que não as sabem apreciar.
A tua forma de dormir, limitada ao teu pequeno espaço, confinada naquela tua parte da cama que mais ninguém tem autorização para ultrapassar, acordares e não conseguires pensar em comida, pegando assim apenas num café com leite, o teu sorriso quando algum dos teus amigos te desafia para algo entre vocês, o gosto por tudo o que te deixa as mãos pretas, e mais improvável de notar, o brilho nos teus olhos quando te sentes em casa. Até a maneira como gostas que te toquem, como gostas que se aproximem, e do que gostas de ver, o teu ponto fraco.
Pequenos pormenores que todos os dias demonstras sem sequer perceberes, que escapam à vista de um olhar desatento ou então apenas de um olhar não tão atento. Pequenas coisas que constroem o sorriso que tens e que me vem apaixonando desde a primeira vez em que realmente sorriste para mim, não apenas aquele sorriso na minha direcção por mera educação.
Eu perdi todo o tempo que tive para te conhecer. Para conhecer cada milímetro do teu ser, para perceber quem és e o que te faz ser quem és.
De ti, apenas ouvi conclusões sem fundamento, ofensas disfarçadas, mentiras contadas e vividas. Mais assustador do que isso, de ti eu vi o desconhecido.
Eu sou apenas a junção de todas outras coisinhas pequenas que me fazem ser quem sou. E tu, não conseguirias sequer identificar uma delas, pois tu, nunca tiraste o tempo para me conhecer.