18/01/2014

A Tela

                "Ali estava a tela, levantei o pincel e as cores a com que me pintei foram o preto e branco, deixo que o mundo use em mim os magentas, os cyans e os amarelos que ele quiser. E o mundo não hesita em fazer infusões de cores distorcer brancos e esmorecer os pretos, mas ainda assim não me importo.
Lá vem aquele toque de amarelo. Sim aquela cor feia que me contorna como falso e inseguro. E o mundo volta de novo a molhar o pincel noutra cor e toca no cyan. Desta vez o cyan é robusto e com ele trás a mensagem não és assim estás a tentar ser o que não és.
Em suave queda vêm gotículas de magenta que tocam o cyan e amarelo, criando laranjas e roxos que gritam no limiar dos seus pigmentos: “ESTÀS ERRADO. NÃO TENS RAZÂO”.
Num acto de revolta escorrega a tela e as cores frescas misturam-se criando um castanho que se torna cinzento, formando uma mancha que se apodera da essência do quadro. Já não sou eu...  Apenas um ele que pintou o seu auto-retrato e não os contornos pretos e os brilhos brancos com que me caracterizei.

A todos Vocês que me trocaram as cores só tenho uma coisa a dizer: por mais tinta que usem, por mais chuvas que apaguem, por mais fogos que queimem, eu continuo a preto e branco e antes de pegarem num pincel pensem nas cores que já foram usadas e não naquelas que querem usar porque não podem voltar atrás no tempo e repintar o preto e o branco sobre o caos de um cinzento já criado"


Carlos Filipe

14/01/2014

O teu olhar torna-se impossível de suportar, as tuas palavras tornam-se promessas sem fundamento, palavras sem qualquer significado. E até o teu sorriso torna tudo mais difícil.