31/03/2011

Odeio-te por te adorar

Odeio-te, odeio-te, odeio-te. Se calhar se o disser vezes suficientes eu realmente venha mesmo a deixar de te adorar.

Adoro-te por aquilo que és comigo, adoro-te por aquilo que representas para mim, adoro-te porque me fazes rir. Mas se consegues fazer me rir, acredita que também me consegues pôr a chorar. Odeio-te por aquilo que representas, por aquilo que tentas ser, odeio-te por te adorar.


12/03/2011

Problema

Acendo o cigarro. Fumo, fumo e não me arrependo. Acaba o cigarro e eu penso: “Onde está o outro?”. Sinto cada vez menos. Vejo-me a desobedecer aos meus próprios princípios. Aqueles em que acredito, tanto para mim como para aqueles que me rodeiam e que têm aquele lugar no meu coração.

(Desculpa se te estou a decepcionar, mas ainda me consigo magoar mais a mim mesma)

Aquilo com que tanto discutimos está agora em mim. Não sei se é pela fase em que me encontro, não sei se é porque para mim as coisas deixaram de ter importância e principalmente a vida deixou de ter importância, não sei se é porque simplesmente quero, não sei se é por ti ou por alguém, mas a verdade é que eu me estou a tornar naquilo que sempre gritei bem alto que não queria que fosse, nem eu nem tu.

Ri-te, discute, faz-me o que quiseres porque estou cada vez a sentir menos. Faz enquanto ainda me vai magoar, porque depois pode ser tarde demais. Faz com que sinta algo mais do que este vazio que tenho em mim, faz-me sentir mais do que o desejo incontrolado de auto-destruição que me domina.

Dou por mim a passar demasiado tempo a pensar em coisas que me podem magoar. Dou por mim a pensar com quê e como, é que posso me magoar ainda mais. Não consigo ver o optimismo, aquela capacidade que sempre admirei em mim. Todas essas atitudes que tanto apreciava estão agora tão longe. Não as consigo alcançar, sinto-as cada vez mais distantes e temo que um dia nunca as poderei recuperar se continuar assim.

Dizem que o primeiro passo para uma recuperação, se é que possa ser isto considerado recuperação, embora seja uma recuperação do que eu era, é admitir que algo está mal. Admitir que há um problema. Aqui está. Eu admito:

“ Eu tenho um problema”

E por muito que me custe dizer isto, eu não estou a conseguir fugir ou resolvê-lo sozinha. Ele continua ali, por muito que tente, por muito que me esforce. Eu tenho um problema, e preciso de ajuda para recuperar.

Acendo o cigarro, fumo, fumo, até que alguém me ajude a apagá-lo.