Tenho saudades de ser o que era. Antes de ter de crescer e ter de tomar consciência da vida. Saudades das alturas em que tudo era apenas diversão, em que fazia tudo aquilo que queria sem ter de pensar muito nisso. Quero ser outra vez aquela rapariga que não se importava com o mundo que a rodeava, que nem com ela própria se importava.
Tudo não passava de um jogo. Um jogo onde a única regra era não ser apanhado, e onde tudo o resto era permitido.
Lembro-me de ver um rapaz sozinho na rua. Observava-o todos os dias e todos os dias estava sozinho. Sem pensar no que poderia correr mal, sem ter medos apenas arrisquei: “Olá, queres companhia?” e foi assim que a nossa amizade começou.
Nessa altura eu era mais eu. Agora sou apenas uma imagem do que os outros projectam. Agora vejo milhares de pessoas sozinhas, e nem sequer consigo pensar em lher fazer companhia pois a cada passo que dou nessa direcção sinto mais medo e acabo por vacilar.
Devem pensar que sou idiota por pensar que este tipo de atitudes faz com que me sinta diferente e com saudades do que era. Mas a verdade é que são estas pequenas coisas que fizeram com que eu me torna-se uma pessoa completamente diferente, que me torna-se uma pessoa cheia de medos e receios por cada atitude que tomo. Até pode resultar para alguns este estilo de vida, mais reservado, mas contido, mas para mim simplesmente não resulta. Sinto que falta um pouco de mim, que me falta a parte mais importante, que falta a minha autenticidade. E eu, eu só a quero de volta.
O mundo para mim deixou de ter piada. Agora é só ser a menina certinha e previsivel aos olhos da sociedade, mostrar um “eu” que não me pertence, que só existe para agradar os que me rodeiam. Estou farta. Apenas quero a minha essência de volta, pois sem ela, nunca conseguirei voltar a ser “feliz” como antigamente.
