
Imagino-te, mais vezes do que as que gostaria. Imagino-te tantas vezes ao pé de mim que por vezes penso mesmo que estás aqui comigo. Imagino que apenas estás aqui, nada mais. Eu e tu, na mesma divisão apenas a olhar, a olhar em volta, sempre com as nossas personalidades tímidas a falarem mais alto. Uma, duas, três horas e continuamos no mesmo sitio. Nenhuma palavra foi trocada, não nos tocámos, apenas trocámos aqueles olhares e sorrisos que só nós conhecemos.
De repente volto à realidade, dou por mim a chorar. Mas não percebo, porque estou a chorar? São estas acções que me fazem pensar que não sou normal, que vivo numa ilusão e que sempre que volto dessa, sofro um bocadinho mais.
Não me recordo de como vim cá parar outra vez. Estou outra vez ao teu lado. Sozinhos, ao lado um do outro. Provavelmente estamos ambos a pensar na mesma coisa: Tudo o que se passou entre nós, ilusão ou realidade? Eu realmente senti o teu cheiro, senti o teu toque como um toque que eu nunca tinha sentido antes. Realmente houve mais do que olhares e sorrisos entre nós? Ou será que tudo isto não passa de uma ilusão que tenho vivido nos últimos anos, todos os dias em que estou longe de ti, 24 horas por dia?
Acordo outra vez na realidade. Estou farta de viver a ilusão. Vem, vem ter comigo, vamos ter tudo aquilo que sempre quisemos ter e sempre evitámos. Estou à tua espera, estou farta de ser obrigada a entrar nestas ilusões sempre que não estás comigo. É agora, já decidi, nada mais importa. Eu QUERO–TE! Finalmente consegui admitir, quero-te mais do que para amigo, quero-te mais do que para aquilo que és agora. Quero que tu sejas tudo o que preciso, que preenchas a minha vida de uma maneira que mais ninguém conseguirá, a minha real vida. Desta vez, eu deixo-te.
Mas, se tu virares as costas a tudo isto, se conseguires diz-me que não me amas, que sou apenas mais uma para ti, que nada teve significado para ti e que nada foi importante, então nunca mais voltes. Pois só ao deixar de te ver, de te sentir perto de mim é que eu tenho alguma hipótese de voltar a encontrar uma pessoa que mereça ouvir o amo-te que tu rejeitaste assim que eu o tentei dizer.